Cá estamos nós.

Eu primeiro fiz a unha que era pra poder fazer carinho nas suas costas e você sentir algum arrepio. Pintei de preto (porque você adora contrariar então sim: você gosta de unha preta!) e levei na bolsa aquele batom com cheirinho de morango.

…daí logo depois eu roí tudo em uma daquelas minhas crises de ansiedade porque você inventou de passar 5 longos dias sem dar sinal de vida. CINCO!! Dá pra entender? Como que “cê” faz uma coisa dessas, hein?! Logo comigo, que surta com qualquer dois risquinhos azuis que não são respondidos em menos de 2 minutos, que escreve textos de 12 laudas se você passa de carro e não buzina.

Você me faz comprar Nescau e leite condensado depois de meses! Me faz tomar uns 8 chopps e ficar estacionada em ruas por aí, ouvindo músicas e esperando o celular tocar. Nem era pra ter assim tanta sintonia.

Mesmo depois de 2 anos, eu ainda gosto tanto de te ver sorrir.

Eu sei que não havia nenhum motivo especial para abrir aquela cerveja artesanal logo depois de acordar de ressaca. Acontece que ali pelas 3 da tarde, pareceu o momento perfeito.

Vai ver é porque me peguei tão distante de você por tanto tempo… e, no dia seguinte, já estávamos subindo ‘dunas vegetadas’ (você e seu vocabulário espetacular…) com os pés descalços na areia e rindo de flores roxas e falando de cogumelos e seus ‘belzebus…’. É bem enquanto o mundo dorme e o relógio aponta a hora de ir pra casa, que nos surpreendemos sendo um casal aos olhos dos outros, sem nem perceber. Essa sintonia tão bonita, que parece comum, mas não é.

Já não separo as ‘minhas’ coisas das ‘suas’ e tanto faz a areia, a cama de beliche ou o quarto com o sol entrando pela janela. Tem só um cheiro bom, uma camiseta sua, uma entrega verdadeira e uma mão entrelaçada no meio da cama, porque sim: aprendemos a ser fofos aos pouquinhos.

Eu acabo rindo dos seus gostos todo esquisito pra comida e suas tentativas fracassadas de me convencer de que um ‘quiabo’ pode ser muito mais saboroso do que um peixe frito, ou sua tática infalível de que espremer um limão em uma água com gás pode curar até mesmo a ressaca mais histórica. Te encontrar por aí por acaso já nem é mais tão acaso assim.

De uma forma ou de outra, eu acabo sempre cruzando com você. E vice-versa. Entre uns e outros, cá estamos nós.

Por tempo determinado, me decifrar nunca foi tão fácil.

Natália Vicentini
Natália Vicentini
De mim e dos outros

Blumenauense, formada em Jornalismo e finalizando curso de Direito; usa as palavras quando transborda e não se cabe mais por dentro. Se não escrever, surta. Tenta ser uma pessoa cada vez melhor - nem sempre consegue -, mas, ainda assim, possui "aquela estranha mania de ter FÉ na VIDA". Compartilha suas ideias malucas e seus amores inacabados na página "De mim e dos Outros".

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