Dias pela metade.

Te rasguei na pele para ver se o peito começa a latejar um pouco do lado de fora também. Queria que o externo também doesse, ardesse, para dividir as dores do coração cansado que já está todo borrado de tanto chorar.

O tempo é extremamente subjetivo para situações dolorosas. A dor tem vários ângulos, vários momentos e várias esquinas. Te encontro em cantos que nem esperava, o olho embaça nos momentos mais supérfluos e nos lugares mais esquisitos. É que não adianta… faz parte de mim um bocado.

Falo de você por aí sem soltar uma lágrima. “Você é forte”, dizem… Mal sabem que me transbordo em casa feito mar furioso antes de vestir meu sorriso e sair para a rua: assim eu mantenho meu controle emocional ao longo do dia.

Vezenquando eu acordo com a sensação de que foi tudo um sonho ruim e que, ainda bem, você está no quarto do lado e vou lá conferir. Mas acontece que hoje em dia meu pesadelo é sempre ao contrário. Antes, sonhava que havia perdido você e acordava assustada, mas a calma vinha logo ao perceber que era só um sonho. Hoje é diferente: sonho com você na minha vida, pintando cor nos meus dias e preenchendo meu coração com aquele calor que já não sinto mais há meses e… quando acordo, o choque da realidade me dá na cara: não tem você do lado de cá.

Não importa o que eu diga, o que me digam… não importa o quanto se esforcem…

…ninguém nunca entenderá como é continuar atravessando os dias pela metade.

Natália Vicentini
Natália Vicentini
De mim e dos outros

Blumenauense, formada em Jornalismo e finalizando curso de Direito; usa as palavras quando transborda e não se cabe mais por dentro. Se não escrever, surta. Tenta ser uma pessoa cada vez melhor - nem sempre consegue -, mas, ainda assim, possui "aquela estranha mania de ter FÉ na VIDA". Compartilha suas ideias malucas e seus amores inacabados na página "De mim e dos Outros".

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