NÃO SEI MAIS QUEM VOCÊ É

Então… nem tudo deu errado. Mas algumas coisas saíram diferente do combinado, confesso.

A sua imagem é absolutamente borrada na minha cabeça de uns tempos pra cá. Eu jamais te reconheceria novamente e te daria aquele voto de confiança que você conquistou com tanta facilidade em uma sexta-feira à tarde.

Mas é bom te ver tomando as rédeas da própria vida e cagando para o que os outros vão pensar, é bom te ver tão fora da bolha, tão diferente, parecendo tão confiante de si mesmo com uma long neck nas mãos, mesmo que eu saiba que a cabeça tá cheia de paranoias.

Agora você anda por aí com aqueles looks que antes achava estranho e só começou a amarrar a camisa xadrez na cintura e a tirar a botinha caramelo do armário porque eu te convenci que era legal; E mesmo que eu te veja por aí com as roupas que eu comprei pensando em como ficariam lindas em você, eu nunca mais vou te reconhecer de novo nessa vida. Porque você, pra mim, sempre foi exemplo a ser seguido e agora é confuso te classificar.

Eu confesso que você conseguiu se camuflar bem demais: de mim, da vida, de quem você era, de quem eu amei. Se essa era a sua intenção, você foi bem sucedido: eu não sei mais falar de você para os outros, eu não sei mais lembrar de você com o coração cheio de carinho e aquele sorriso no rosto.

Eu não sei mais quem você é.

Natália Vicentini
Natália Vicentini
De mim e dos outros

Blumenauense, formada em Jornalismo e finalizando curso de Direito; usa as palavras quando transborda e não se cabe mais por dentro. Se não escrever, surta. Tenta ser uma pessoa cada vez melhor - nem sempre consegue -, mas, ainda assim, possui "aquela estranha mania de ter FÉ na VIDA". Compartilha suas ideias malucas e seus amores inacabados na página "De mim e dos Outros".

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